Discurso por escrito
Capitão Alberto Neto, em discurso enviado por escrito, criticou ministros do Supremo Tribunal Federal que apareceram rindo no dia em que vieram à tona revelações sobre a relação do ministro Alexandre de Moraes com o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Cobrou explicações da Corte.
Ler o discurso
DISCURSO NA ÍNTEGRA ENCAMINHADO PELO SR. DEPUTADO CAPITÃO ALBERTO NETO (SEM REGISTRO TAQUIGRÁFICO). Excelentíssimo Senhor Presidente, Senhoras Deputadas, Senhores Deputados, Venho a esta tribuna para registrar minha indignação com uma cena que expõe, de forma cabal, o abismo entre o Supremo Tribunal Federal e o povo brasileiro. Nesta quarta-feira, no mesmo dia em que vieram à tona novas revelações sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro banco que quebrou e deixou um rombo bilionário, atingindo poupadores e investidores em todo o país , o que a sociedade viu não foi seriedade, não foi explicação, não foi compromisso com a verdade. O que a sociedade viu foi um grupo de ministros gargalhando nos corredores do Supremo, como se nada daquilo lhes dissesse respeito. Sr. Presidente, quando um cidadão perde suas economias, ele não ri. Quando uma família vê seu patrimônio evaporar por decisões que hoje são questionadas, ela não ri. Mas parece que, para alguns ministros do STF, a gravidade institucional do país cabe num sorriso largo diante das câmeras. Não estamos falando de uma foto isolada ou de um mal-entendido. Estamos falando de homens que ocupam a mais alta Corte deste país, que têm o dever constitucional de zelar pela credibilidade da Justiça, e que escolheram, no momento de maior fragilidade institucional, demonstrar ao Brasil que a crise não os atinge, que a cobrança não os alcança, que a cobrança popular é motivo de descontração de corredor. Isso, Sr. Presidente, é o retrato de uma Corte que se acha acima do escrutínio público. É o retrato de uma toga que virou blindagem. E o povo brasileiro, que paga a conta de todas as crises que este país atravessa, não pode aceitar em silêncio ser tratado com o desprezo de uma risada. Esta Casa não pode se calar. Cobramos explicações. Cobramos seriedade. Cobramos que o Supremo Tribunal Federal se lembre de que serve ao povo, e não o contrário. Muito obrigado. Solicito a divulgação deste discurso nos meios de comunicação da Câmara dos Deputados e no programa Voz do Brasil.